TODOS OS SANTOS

 

 

 

 

 

 

Os Santos são aqueles que levaram à plenitude os sentidos humanos de que foram dotados. Escutaram a voz de Deus e, de boa vontade, Lhe responderam com o seu SIM generoso - "Santificai-vos e sede santos, porque Eu sou o SENHOR, vosso Deus." (Lv 20, 7). Saborearam a Sua misericórdia, nos momentos de dificuldade e pecado. Eles que foram "tocados pelo Amor" não podem calar o que viram, ouviram e o que tocaram acerca da bondade divina. Eles acreditaram verdadeiramente no amor de Deus por eles e viveram desse amor, numa relação de filiação. Sim, perceberam como Deus é Pai, como cuidava deles e que, por isso, a sua vida estava nas suas mãos, dependentes d’Ele em tudo. Assim, o modo de proceder de um santo é o de um filho muito amado que reconhece o seu Pai em todas as pessoas, circunstâncias e até mesmo nos sofrimentos, ocasiões para mais e melhor serem como “uma humanidade de acréscimo” (Sta Isabel da Trindade) de Jesus, o Filho bem amado do Pai.

Reconhecemos esta forma de viver da fé em todos os santos, mas olho com especial carinho para S. Francisco Marto que dizia perante as adversidades: "Pensemos antes no Anjo que é mais bonito."

Os santos preocupam-se mais em "deixar-se amar" ao jeito do Senhor, do que naquilo que é efémero, que passa. Vivem "o Céu na terra", como se exprimia Santa Isabel da Trindade, pois sabia-se habitada pela Trindade e aí permanecia na Sua presença, dizendo: "Parece-me que encontrei o meu céu na terra, porque o céu é Deus e Deus está na minha alma. Quando compreendi isto, tudo em mim se iluminou" (C122). Verdadeiramente é uma aventura fascinante quando se experimenta viver só Deus, como diz S. Paulo: "n'Ele vivemos, nos movemos e existimos" (At 17,28).

Ao olharmos para os exemplos de Todos os Santos vemos, por excelência, Jesus e Maria a viverem a santidade nas suas vidas e, deste modo, a traçar-se o caminho para todos nós.

Nos Santos encontramos, ainda, a marca de um grande sentido de humor, desde logo no: saberem rir-se de si mesmos, tendo um olhar positivo em tudo o que lhes acontece, sabendo que, tudo lhes vem do Alto e, portanto, se abandonam e confiam, simplesmente. Deste modo de ser, desenha-se nas suas vidas, uma liberdade e felicidade incríveis, pois se entregam ao cuidado do Pai e da Mãe - para quê andarem preocupados?

Os Santos são, sem exceção, os "felizes do Reino" de quem Jesus falava no Sermão da Montanha (Mt 5) e que contagiavam pela alegria. Podemos dizer que os Santos, nossos irmãos experientes no "toque do Amor" que é Deus, continuam a ser os enamorados, "alter Christus" (outro Cristo), os eternos agradecidos porque agraciados.

Creio que, se hoje, nos pusermos bem à escuta do que nos têm para dizer, poderá ser algo assim:

Vive consciente de que és habitado, na presença deste Deus que é o teu Pai, cultiva a tua relação com Ele através dos acontecimentos diários, em gestos pequenos a quem quer que seja, com amor porque Aquele a quem amas te conduzirá. Saboreia o Amor do Pai vivendo como filho agradecido e nos Seus braços que te sustentam, preocupando-te apenas em agradar-Lhe. Crê no Seu Amor por ti.
Louvando-O continuamente. E porque não fazermos esta experiência?!