Irmã Liliana Reis
FICA PARA A PRÓXIMA

Chamo-me Liliana, tenho 20 anos e sou noviça na Congregação Religiosa da Aliança de Santa Maria. Sou natural de uma pequena aldeia, chamada Quintas, pertencente à freguesia da Encarnação, concelho de Mafra. Nasci no seio de uma família cristã que sempre me transmitiu a fé e me ensinou desde tenra idade o amor a Jesus e a Nossa Senhora. No entanto, embora tendo desde pequena uma inclinação natural para as coisas de Deus, a minha fé foi-se desvanecendo. Considerava-me "católica praticante": ia à Missa ao Domingo, andava na catequese e cumpria todos os preceitos que manda a Igreja, mas o meu coração estava longe de Deus, não sabia se acreditava naquele Deus que a Igreja me apresentava.

 

Por volta dos meus 16 anos, comecei a sentir que nada me preenchia e que a vida, vivida de uma forma superficial e materialista, não tinha sentido. Nada me dava verdadeira alegria, nem uma excelente nota num teste difícil, nem uma saída à noite, nem uma ida ao shopping ou ao cinema. Era um chegar a casa com o coração vazio e deprimido. Não havia nada que me preenchesse e me desse uma razão para viver.

Certo dia, no meio da minha angústia por não encontrar um sentido para a vida, dirigi-me de forma quase inconsciente para Jesus: "Senhor, se tu existes, se és realmente Aquele que dizem que és, salva-me, porque sozinha não posso mais. Se existes, responde-me”. Fiz esta oração sem saber se Ele existia, mas confiante de que se Ele era real, me poderia salvar e me poderia dar uma razão para viver.

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 "...Se existes,
responde-me."

 

Em junho desse mesmo ano, num acampamento de escuteiros, fomos convidados a participar numa atividade para jovens, organizada pelo Seminário de Penafirme. Lembro-me que não tinha vontade de ir, mas o grupo acabou por me arrastar. Nessa atividade estavam duas Irmãs da Aliança de Santa Maria, convidadas para darem o seu testemunho vocacional. Havia algo de misterioso nelas que me cativava e ao ouvi-las contar a sua história, desejei no meu interior que Deus também agisse assim na minha vida. No momento da despedida, senti que havia algo que me puxava para elas e, de uma forma inconsciente, senti que o meu lugar era com elas. Cheguei ao final daquele dia cheia de alegria. Não uma alegria eufórica, mas uma alegria, que sem saber de onde vinha, me preenchia.

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 Cheguei ao final daquele dia cheia de alegria.

 

Uns dias depois, convidaram-me para ir a um campo vocacional que iria ocorrer em julho no Seminário de Penafirme. Ao falarem em campo vocacional pensei: "Vocação, freiras, não é para mim". Mas havia algo dentro de mim que me impelia a ir. Procurei inscrever-me e falar com algum dos padres responsáveis, mas sem sucesso. Acabei por não ir a esse campo.

 

Em julho, estando como qualquer jovem a passar o seu tempo no Facebook, percebo que uma rapariga que conheci naquela atividade em Penafirme, foi ao campo vocacional de que me tinham falado. Ao ver as fotos do campo, comentei-lhe a foto de grupo dizendo: "Gostava muito de ter ido a este campo, mas não consegui. Fica para a próxima".

 

Como resposta ao meu comentário surge um outro convite, feito por uma Irmã, para ir ao campo de férias das Irmãs da Aliança de Santa Maria. Este convite encheu-me de alegria e senti uma grande vontade de ir. Comecei a sentir, inexplicavelmente, que era vontade de Deus que eu fosse a esse campo porque queria que eu viesse a ser uma daquelas Irmãs. Tentei libertar-me e fugir destes pensamentos que pareciam ser uma loucura e disse a essa irmã que não iria. Mas, um dia antes do campo começar, aquela irmã voltou a perguntar-me e, como que por impulso, digo-lhe que vou.

 

No início do campo de férias, tentei fugir da questão vocacional, mas ao ver o testemunho de alegria e fé daquelas irmãs comecei a questionar-me sobre a minha vocação. Perguntei então a Jesus o que é que Ele queria de mim e senti, de uma forma que até hoje não sei explicar, que Ele me estava a convidar a segui-Lo de uma forma total e radical nas Irmãs da Aliança de Santa Maria. Experimentei o mesmo que o profeta Jeremias confessava no seu livro:

 

  • "A mim mesma dizia: "Não pensarei mais nEle. Não falarei mais em seu nome",
  • mas no meu coração a Sua palavra era um fogo devorador encerrado nos meus ossos.
  • Esforçava-me por contê-lo, mas não podia."
  • (Jr 20, 9)

Muitas eram as dúvidas, os medos e as inseguranças, mas havia algo que se impunha a mim própria e que era mais forte do que eu. Comecei a expor as minhas inseguranças e medos com uma Irmã e a rezar o terço todos os dias. Pedia constantemente a Jesus que me continuasse a mostrar a sua vontade. No meio da minha luta interior havia algo a nascer dentro de mim que não podia negar. Decidi então dizer que sim ao convite que Deus me fazia e manifestei o meu desejo de querer entrar para a Congregação. Consagrei-me ao Coração Imaculado de Maria e lembro-me que esta decisão me encheu de uma alegria repleta de paz, que até então nunca tinha experimentado.

 

A 13 de setembro de 2012 entrei para a Aliança de Santa Maria entregando toda a minha vida a Jesus Cristo, por meio do Imaculado Coração de Maria. Estou aqui apenas há dois anos, mas apesar da minha pouca experiência, sei que Jesus Cristo é verdadeiramente "o Caminho, a Verdade e a Vida". Ele é a Verdade que sempre procurei. Ele é a Vida que vale apena viver, o Amor que vale apena amar.