Irmã Andreia Ferreira
CONFRONTADA COMIGO MESMA

 

  • Nada há a temer quando o que nos espera é o próprio Deus!

 

Chamo-me Andreia e nasci no seio de uma família cristã, não obstante pouco praticante. No entanto, sempre senti desejo de estar inserida na comunidade paroquial e na catequese, mesmo achando interiormente, já no final do percurso catequético, que o crisma era mais uma "festa da catequese". Todavia, no dia do meu crisma, misteriosamente tomei consciência que aquele dia não se limitava a uma simples "festa", mas  de um sacramento, no qual receberia o Espírito Santo. Comecei então a desejar ser uma boa cristã e aprofundar a minha fé.

A partir de então comecei a procurar toda a espécie de encontros cristãos. Mas simultaneamente, vivia na banalidade que a nossa cultura me oferecia: o gostos pelas festas, pela "aparente liberdade" que as saídas com amigos davam. Andava à procura de algo que desse sentido à minha vida mas não encontrava, então enchia o meu tempo com encontros e saídas. 

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"Andava à procura de algo
que desse sentido à minha vida...
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Foi então que tive uma forte experiencia de Deus em Taizé, que reacendeu em mim o desejo de ser uma autêntica cristã, sem duplicidade. Desde este momento, decidi preocupar-me em ser mais do que "ter coisas" ou "fazer coisas". Até que me convidaram para um retiro na Congregação da Aliança de Santa Maria, onde pela primeira vez ouvi a palavra vocação. Entendi no mais profundo de mim que para ser uma “boa cristã” tinha que descobrir qual seria a minha vocação. Confrontada comigo mesma e com a incoerência que vivia, percebi então que a vida que levava me causava um grande vazio e insatisfação. Tudo começava a fugir das minhas mãos!

A questão da vocação assaltava-me o pensamento e num momento de coragem perguntei a Deus o que Ele queria de mim. Para mim a resposta foi clara. No entanto, mesmo vendo claro esse chamamento, para mim era algo impensável um estilo de vida tão radical. Sabia que só com Jesus a minha vida ganharia sentido, mas ao mesmo tempo não queria deixar tudo o que até ali já tinha vivido.

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"Sabia que só com Jesus
a minha vida ganharia
sentido...
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Mas a alegria daquelas Irmãs sobreponha-se aos meus muitos medos e devagar, deixei-me seduzir por Jesus. Pedi acompanhamento espiritual e comecei a rezar, abrindo-se um mundo até então desconhecido: um Rosto de Alguém que me conhecia e me amava como eu era, que sempre seguiu os meus passos e que de muito perto tocava a minha vida. Esse Rosto era o de Jesus, que preencheu todas as exigências do meu coração. E, por isso a certeza de que Deus me escolheu para o seguir de "coração indiviso" é a maior alegria que tenho e aquela que me leva a dizer SIM ao seu chamamento. 


Vale apena dizer SIM a Deus! Nada há a temer quando o que nos espera é o próprio Deus! Um Deus de misericórdia, um Deus que só sabe amar e deixar-se ser amado! É a este Deus que me entreguei e é deste Deus que tenho a alegria de falar e partilhar convosco.

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  • Publicado em "O Farol da Ameixoeira", nº 35
  • dezembro de 2015