O quinto e último dia

A história de um fillho que nunca deixou de o ser 

o quinto e último dia

 

 

Hoje foi dia de festa no mais íntimo de mim! Como se o Senhor me dissesse: tu, vem e segue-me e eu não quisesse outra coisa senão ir de uma só vez. Como se Ele me perguntasse: amas-me? E eu respondesse oh Senhor, tu sabes tudo, bem sabes que te amo, ainda que todo frágil e incerto.

Carrego a mala às costas e um presente disponível para a surpresa, provido da excelência e do rigor com que um dia fui chamado pelo nome. Será isto crescer?

Carrego em mim a sede, os pássaros em debandada e o barulho da água a passar pela cedência da terra. 

Para seguir o Senhor, confiei. É da confiança que se fazem os filhos.

Por isso largo, deixo, recebo, encontro, ... Largo o acessório para receber o essencial. Perco algumas rotinas para ganhar novos hábitos. Deixo o berço para alargar o coração a novos laços, a novos compromissos, a novas horas. 

Vão-se os medos para ganhar certezas. Vão-se as certezas para ganhar a fé.

Para seguir o Senhor, caminho acompanhado. Preciso de alguém que me lembre as Suas histórias e me ajude a caminhar pelas veredas da verdade.

Para seguir o Senhor, falo com Ele e digo baixinho: Meu Senhor, que a mim Te deste, ensina-me a ser filho e a servir-Te em espírito e verdade. Quero habituar o coração a correr pelos Teus caminhos, seja nos dias claros, seja nos dias turvos, nesses em que me esqueço que um dia tive sede e que encontrei a fonte. Melhor, que um dia tive sede e a fonte me encontrou.

Por fim, para seguir o Senhor, guardo a paz que me deu e sigo em frente, para O alto.

 

Texto de Verónica Benedito, asm
Voz de Fausto Raínho Ferreira