Advento com Mensagem de Fátima
I Domingo de Advento

Este Domingo abre as portas a um novo tempo litúrgico, o Advento: um tempo que nos é oferecido,
como diz o Papa Francisco, para acolhermos o Senhor que vem ao nosso encontro, para examinarmos
o nosso desejo de Deus, para alargarmos o nosso olhar e nos prepararmos para a vinda definitiva de
Cristo (cf. Angelus, 3 dez 2017 ).

Deste modo, o Advento não é apenas, e só, um tempo para preparar as celebrações do Natal, fazendo
memória agradecida da Encarnação de Cristo há cerca de dois mil anos atrás. É também, um tempo
para reconhecermos a Sua presença viva e atuante no hoje da História, na certeza de que virá, de novo,
no fim dos tempos. "Por isso devemos estar vigilantes e esperar o Senhor na expectativa de O encontrar" 
(Papa Francisco, Angelus, 3 dez 2017).

É precisamente desta expectativa e vigilância que nos fala o Evangelho deste 1º Domingo. Porque não
sabemos o dia em que o Senhor virá
, é necessário vigiar, viver em atitude de expectativa e não adormecidos
ou anestesiados, de coração pesado pelas preocupações da vida (cf. Lc 21, 34).

Mas como responder a este apelo do Evangelho? 

Fátima oferece-nos pistas para isso. Conta a Ir. Lúcia que, em 1916, no pino do Verão, estavam os três,
ela, o Francisco e a Jacinta, a brincar, no poço do Arneiro, durante as horas da sesta. E nessa hora que não
pensavam
 veio o Anjo e encontrou-os como que distraídos:

'-Que fazeis? Orai, orai muito. (...) Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.

-Como nos havemos de sacrificar? - perguntou a Lúcia.

-De tudo o que puderdes (...).' (MIL II)

 

oração e o sacrifício: duas formas de vigilância, dois modos de amar dentro do tempo (Daniel Faria, 
Explicação das árvores e de outros animais). Mais tarde, viria a Senhora do Coração Imaculado pedir-lhes que
rezassem o terço todos os dias e perguntar se se queriam oferecer a Deus- que é a mesma coisa que perguntar
se queriam ser um sacrifício, uma oferta de tudo o que pudessem, a Deus, pela humanidade.

A resposta foi generosa: iam à Missa (quando podiam até de semana), rezavam muitos terços, faziam
companhia a Jesus Escondido diante do sacrário, pediam-lhe pelos que mais precisavam ou simplesmente diziam
muitas vezes a Jesus que O amavam! Ofereciam contínuos atos de amor nas circunstâncias das suas vidas:
os interrogatórios intermináveis que não podiam evitar, as incompreensões, a prisão, o desprezo da família,
a doença, a solidão, uma dor de cabeça, ou um simples caldo que custava tomar. Tudo podia ser motivo de
oferta.

Que o Senhor nos encontre vigilantes e alegres por Lhe pertencermos, tal como encontrou os Pastorinhos,
pois "ninguém pode ter maior alegria do que aqueles que sentem o olhar do Senhor e a mão de Nossa Senhora
sobre eles e lhes respondem com um 'Sim' generoso." (Maria Clara, asm)

 

Verónica Benedito, asm